Nunca façam uma conexão de 16h sem saber o destino

Querido Diário Lunar,

Luanda, 2023.

Se um dia eu tiver a brilhante ideia de fazer uma conexão de 16 horas sem pesquisar o destino antes, me impeçam. Me segurem. Me façam dar um Google de tudo que precisa. Porque foi exatamente assim que eu e minha amiga Bárbara fomos parar no Aeroporto de Luanda, em Angola, sem visto, sem dinheiro e sem poder sair. Senta que lá vem mais um perrengue.

A história começou ainda no avião, quando estávamos em um embate sobre o que fazer com esse tempo absurdo de conexão. Bárbara, aventureira que só e SEMPRE do contra, queria sair para explorar Luanda. Como boa muquirana que é, ia usar essa conexão para dar um check na Angola. Eu, cansada, exausta e já em modo ‘quero minha cama’, queria ficar no hotel e dormir. Debate vai, debate vem, na fila para imigração, solto a seguinte frase:

— Bárbara, imagina se precisar de visto?

HAHAHAHA. Rimos muito. Achamos a ideia absurda. Ingênuas. Pobres almas desinformadas.

Eis que chegamos ao final da fila para desembarcar e, surpresa! Para sair do aeroporto, precisava SIM de visto. Que, obviamente, tínhamos que ter solicitado com antecedência. Olhei para Bárbara, Bárbara olhou para mim, e foi assim que, de repente, a imigração de Luanda decidiu por nós: ficaríamos no aeroporto 🤡

Podia ser pior, né? Pelo menos é um aeroporto internacional… Como boas viajantes, pensamos: “Vai ter Wi-Fi, restaurante, duty free, uma poltrona confortável para matar o tempo.”

Hahahaha (rindo de nervoso).

Gente. O aeroporto de Luanda é rústico. RÚS-TI-CO. O restaurante? Fechado. Todos. Abririam só duas horas antes do nosso voo. O Duty Free? Aceitava cartão? Aceitava… só que não os nossos. 🥹 Depois de tentar todas as opções possíveis, a moça do caixa me olhou com dó e disse:

— Aceitamos dinheiro local também.

Respondi com muita esperança:

— Perfeito, então podemos trocar dinheiro?

E a resposta veio como um soco no estômago:

— Sim, mas só fora do aeroporto.

SÓ. FORA. DO. AEROPORTO.

Adivinha quem não podia sair do aeroporto? Eu e Bárbara.

Nesse ponto, eu já queria matar ela e ela me matar. Cansadas, depois de 30 dias viajando juntas, sem mais assunto ou fofoca, naquele momento até o som da voz da outra nos tirava do sério. Nosso semblante para quem passava era: largadas, desalmadas, olhando para o nada, em silêncio, com fome, xingando a outra mentalmente (sim, precisávamos culpar alguém) sem internet e agora, também sem esperanças.

Para piorar, decidi usar o banheiro. Cheguei lá e… não tinha papel higiênico. Nem ninguém para repor, afinal, tinham poucos passageiros desinformados como nós que acabaram fazendo a conexão dentro do aeroporto. E foram TRÊS horas até alguém aparecer com o tão sonhado rolo de papel.

Três. Horas.

A infecção urinária grita.

O tempo foi passando e eu já estava considerando tirar uma lasquinha da Bárbara ou chorar para a moça do Duty Free por um chocolatinho. Até que, num lampejo de genialidade, Bárbara lembrou que alguns cartões davam acesso a salas VIP.

Tentamos um. Funcionou por quatro horas.
Tentamos outro. Funcionou por mais quatro.

E foi assim que passamos metade da conexão em o que se tornou para gente um oásis ou melhor, uma luz no fim do túnel. Uma sala com poltronas almofadadas, COMIDA e, o melhor de tudo, Wi-Fi para Netflix. Finalmente conseguimos parar de entrar em discussões bobas só para matar o tempo (temos o nosso jeitinho hehe, bem tranquilinhas).

Sobrevivemos. Mas a lição fica:

SEMPRE pesquise antes de uma conexão longa. Ou então, se for para Luanda, leve dinheiro vivo, papel higiênico e um cartão de acesso à sala VIP. Nunca se sabe.

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