Querido diário lunar,
Itália, 2014.
Para uma experiência cultural, culinária e, como descobriríamos depois, cômica, eu e Barbara embarcamos rumo ao coração da Itália. O destino?
Castelraimondo — uma comuna tão pequena que dava para atravessar de ponta a ponta a pé, e olha que não somos exemplos de atletas. Para você ter uma ideia, o lugar tem cerca de 44 km². Isso mesmo, mais ou menos o tamanho do Parque do Ibirapuera, só que com menos árvores e mais opções de sorvetes maravilhosos. 🍦

A missão oficial era estudar italiano por um mês, junto com a minha professora e uma turma animada. Como a Bárbara não falava uma palavra do idioma, me juntei a ela no nível iniciante – pura solidariedade, claro, e não porque eu queria escapar das aulas difíceis (longe de mim!).
Todo dia de manhã, lá íamos nós, firmes rumo à aula… naquele calor escaldante do verão europeu. Até que um dia decidimos quebrar as regras: iriamos matar a aula daquele dia para irmos à praia! Era uma questão de sobrevivência ao calor e preservação da sanidade rs… ☀️😅
Nosso plano começou logo cedo. Como prioridades são prioridades, e a nossa era inicialmente comprar presunto cru, tivemos que passar no mercadinho local, ou seja, tivemos que passar (correndo) em frente a nossa sala, mas vamos combinar que esse risco era completamente válido né?
Principalmente para a Barbara, que só era feliz na Itália quando estava comendo – ou seja, o tempo todo. Spoiler: é possível ganhar 5 kgs em um mês 😂
Com nossa comida em mãos, partimos para a próxima etapa do plano: chegar à estação de trem.
O plano parecia simples:
- Pegar um trem
- Chegar à praia
- Viver felizes para sempre.
Só que tinha um (alguns) pequeno (pequenos) porém (poréns): - Eu morria de vergonha de falar com estranhos.
- A Bárbara não falava italiano.
- A gente não sabia que trem pegar.
Mas não há dificuldade que o jovem com um sonho não enfrente – ensinei uma frase básica para ela perguntar como chegar à praia. Eu ficaria de longe, parecendo uma turista distraída, confiando na minha pupila.
Tudo parecia funcionar: vi a Bárbara abordar um local, repetir a pergunta direitinho, vi o cara respondendo com todo aquele entusiasmo típico dos italianos…
A cara dela estava feliz, achei que nosso sonho ia se tornar realidade… O nervosismo tinha compensado. Infelizmente tinha esquecido de uma das características mais fortes de Bárbara: o sarcasmo e o deboche. 🙄
Ela volta até mim e apenas diz:
“Amiga… lembra que eu não sabia falar italiano? Então… eu também não sei entender a resposta.” 🤡🤡🤡🤡
HAHAHAHA.
Ainda bem que aprendemos desde cedo a rir dos nossos próprios perrengues.
Moral da história? Se um dia decidir matar aula para ir à praia em um país estrangeiro, leve um dicionário. Ou um tradutor. Ou, sei lá, quem sabe um pouco de bom senso😂








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